Quando a alma
transborda as lagrimas caem. Os olhos umedecem, o corpo fica leve, e o coração
aquece. Nos momentos solitários de tristeza, fracasso e desilusão as lagrimas me
foram companheiras inseparáveis, elas possuem o poder de desarmar, de tirar das
costas o fardo pesado que sozinha fica difícil carregar. Ao mesmo tempo em que
me esvaziam, momentos depois me enchem de uma força capaz de lançar-me ao
desconhecido e ir em busca do que acredito mesmo quando tudo se opõe a isso.
Muitos foram os que
me feriram com palavras, que destruíram meus sonhos, que me desencorajaram, que
disseram: “Você não vai conseguir”. Várias foram às vezes que enchi, transbordei,
que no silencio sentei, chorei, me desesperei, desejei um colo e um afago que
dissesse: “Isso vai passar”.
Foi na lágrima do
dia após dia que percebi o fogo que havia em mim, o fogo que me aquecia, queimava,
erguia, guiava pra luz. A luz que me conduzia de volta ao caminho e indicava a
direção. Nunca quis estar só, já pensei estar, mas hoje sei que não, com o
tempo permiti não apenas ver, mas enxergar além e assim descobri que Deus com
toda sua onipresença jamais me abandonou.
Ninguém acende uma
vela para coloca-lá embaixo de uma vasilha. Eu quero ser chama. Quero errar
tentando, quero valorizar o que ganhei, aprender com o que perdi, quero
aproveitar o que a vida tem de melhor, ela é valiosa demais pra ser desperdiçada.
Aconchegue-se, o fogo está aceso, a chama alimentada, e a casa iluminada a sua
espera.
"É o coração, e não a opinião, que honra o homem"
(Friedrich von Schiller)
Ednamar


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