9 de abril de 2012

O fogo


Quando a alma transborda as lagrimas caem. Os olhos umedecem, o corpo fica leve, e o coração aquece. Nos momentos solitários de tristeza, fracasso e desilusão as lagrimas me foram companheiras inseparáveis, elas possuem o poder de desarmar, de tirar das costas o fardo pesado que sozinha fica difícil carregar. Ao mesmo tempo em que me esvaziam, momentos depois me enchem de uma força capaz de lançar-me ao desconhecido e ir em busca do que acredito mesmo quando tudo se opõe a isso.

Muitos foram os que me feriram com palavras, que destruíram meus sonhos, que me desencorajaram, que disseram: “Você não vai conseguir”. Várias foram às vezes que enchi, transbordei, que no silencio sentei, chorei, me desesperei, desejei um colo e um afago que dissesse: “Isso vai passar”.

Foi na lágrima do dia após dia que percebi o fogo que havia em mim, o fogo que me aquecia, queimava, erguia, guiava pra luz. A luz que me conduzia de volta ao caminho e indicava a direção. Nunca quis estar só, já pensei estar, mas hoje sei que não, com o tempo permiti não apenas ver, mas enxergar além e assim descobri que Deus com toda sua onipresença jamais me abandonou.

Ninguém acende uma vela para coloca-lá embaixo de uma vasilha. Eu quero ser chama. Quero errar tentando, quero valorizar o que ganhei, aprender com o que perdi, quero aproveitar o que a vida tem de melhor, ela é valiosa demais pra ser desperdiçada. Aconchegue-se, o fogo está aceso, a chama alimentada, e a casa iluminada a sua espera.

"É o coração, e não a opinião, que honra o homem"
(Friedrich von Schiller)

Ednamar

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