Colhendo palavras
Sempre gostei muito de ouvir Pe. Fábio de Melo, mas que isso usei de suas palavras ao meu favor, guiei decisões minhas e depois de um tropeço voltei a erguer a cabeça pela lembrança de suas palavras. Fazia um tempo que havia deixado de ouvi-lo com freqüência, mas essa semana procurei por suas palavras na internet, assisti vídeos no you tube, baixei pregações e homilias e no meio disso tudo ouvi algo que me fez repensar sobre minha mudança: “coragem é você esta no ultimo ano de faculdade e decidi mudar por descobrir que não é o que se quer fazer o resto da vida.”
Ai me apareceu uma pulga atrás da orelha: concluo ou pulo fora? Ter um diploma não é ruim, mas e se ele não tiver utilidade depois, de que vale? E por mais que seja uma faculdade estadual não posso dizer que meu aprendizado foi dos melhores. Além dos inúmeros professores relapsos eu interrompi no terceiro período por conta do trabalho e esse negocio de pagar matéria é desestimulante. Vai um dia e três não. Confesso que só levei a serio mesmo as matérias que me interessavam ou as que os professores fizeram com que me interessasse.
Quando disse que nunca imaginei exercer a profissão de letrada é porque nunca me imaginei professora. Quando ingressei no curso foi pelo único motivo de ser o mais próximo do que eu desejava que era algo na área de comunicação. No meu primeiro período escutei de uma professora a seguinte frase: “se você não quer se tornar professor é melhor sair do curso agora.” Eu devia ter mesmo saído naquela hora, mas como de costume eu teimei e aqui estou querendo mudar e sem saber por onde começar.
O medo bate e tenho consciência de que estou dando espaço para isso, estou permitindo que o medo tome conta de mim e que o comodismo se instale ainda mais na minha vida. Porque é fácil estar no meio e como diz Pe. Fábio é fácil ser uma pessoa mais ou menos, um aluno mais ou menos, um funcionário mais ou menos, amar e ser amado mais ou menos e assim fica fácil conhecer-se mais ou menos também. É preciso ir mais fundo nas propriedades do coração e cuidar da vida de uma forma diferente. A desinstalação nos traz isso, quando nos é retirado o chão ao qual estamos acostumados somos obrigados a procurar novos lugares.
Talvez seja esse o principal motivo desse meu desejo de mudar, quero sair desse comodismo do mais ou menos e como conclusão disso é preciso então que eu busca uma certa desinstalação que saia desse chão e procure novos lugares. Não busco sofrer, mas sei que será uma conseqüência bem provável.
“É preciso ter um caos dentro de si para que sejamos capazes de dar a luz a uma estrela cintilante.”
( Mitch )
Eliene
Todo tempo é tempo...
“Coragem é você esta no ultimo ano de faculdade e decidi mudar por descobrir que não é o que se quer fazer o resto da vida.” Para alguns isso é coragem para outros uma insana loucura, mais quem é de fato normal nessa vida, dizem que de gênio e louco todo mundo tem um pouco.
Eu até diria que isso além de coragem é uma tremenda ousadia. Coisa para poucos. Por que digo isso? Porque não é fácil enfrentar família, amigos, sociedade e a si mesmo dizendo que isso é um erro. É ir contra tudo e todos...
Jamais serei a favor daqueles que fazem um curso porque os pais querem, no inicio você até leva numa boa mais chegará um tempo que você os culpará por tal escolha. Mais sinceramente a culpa é sua que nos os encarou quando devia, não estou incentivando ninguém a brigar com seus pais não é essa minha intenção mais se até Deus nos dá o livre arbítrio porque nossos pais não? Eles tiveram suas escolhas e nós temos as nossas, claro que querem o melhor pra nós, mais as vezes o melhor é entender e aceitar.
Também não sou a favor daqueles que forçam uma situação, como algumas de minhas amigas de curso. É perceptível que elas não gostam de Pedagogia, que estão no lugar errado e que por isso não criam perspectivas de futuro, e a troco de quê? De um canudo? Um status? Um agrado? Um faz de conta?
Não sei se enfrentaria ônibus lotado, professores descompromissados, cadeiras chatas, trabalhos pesados, e outras coisas mais se não gostasse de Pedagogia. No inicio a dúvida pairava, qual curso fazer? Bacabal não tinha muitas opções e eu ainda não entendia bem aquele universo, então fui atrás da opinião materna, e a escolha dela não foi outra.
Pra começar eu pensei que nem passaria no vestibular, segundo mesmo que passasse eu ia estudando até aparecer algo mais interessante, sempre quis algo na área de comunicação, letras era o mais perto disso, eu não sabia o que era Pedagogia, mais sabia que apesar de tudo letras eu não queria. Ou fazia o curso certo ou não fazia nada, mais acabei indo pro lado pedagógico porque apesar de tudo gostava da missão de um professor.
Sorte a minha, que me descobri no lugar certo. Logo nas primeiras cadeiras vi que estava no lugar que “também” era o que eu queria, e logo a escolha que foi de minha mãe também tornou-se a minha e é por isso que hoje estou aqui. Agora numa cidade diferente tenho a opção de vários outros cursos, e também posso explorar mil e uma opções dentro dá que estou e é isso que pretendo fazer. Primeiro me formo e busco algo na minha área, voltando-me mais para o aluno e isso não implica necessariamente uma sala de aula, quero me dedicar mais a parte estrutural da escola, algo como supervisor ou orientador educacional.
Depois como já disse farei outro curso, são áreas que apesar de diferentes não se distanciam de onde já estou, pelo contrario tendem a complementar. Meu diploma terá peso de ouro, tive que praticamente começá-lo do zero, como aluna transferida me sinto uma indigente que já passou por todos os períodos, desde o primeiro ate o ultimo enfrentando as situações mais adversas, não tenho sala fixa e tenho que esperar as cadeiras que faltam serem oferecidas isso sem contar que pego cada professor e cada colega de turma que só a misericórdia divina.
E ai tem duvida que estou aqui porque quero e gosto? Só quando agente gosta enfrenta ate o fim o que vem pela frente, não adianta ir empurrando com a barriga, pois é natural do nosso organismo expelir os corpos estranhos.
A vida é vida de qualquer maneira, mesmo quando ela se perde ainda no útero, ou quando já se perdem as contas dos anos. Todo dia descobrimos coisas novas, todos os dia mudamos e é nessas mudanças que percebemos que nem sempre o que vivemos é o que queremos ou o que é melhor pra nós, pode ser que tenhamos feito aquilo a vida toda, mais se a vida ainda não acabou, também não acabou a esperança, e a oportunidade de fazer algo novo.
Riscos?Medos? Perdas? Loucura?
Jesus enfrentou tudo isso por você, porque acreditou em você. Sabe que és capaz, e se és capaz de acreditar em Deus seja também de acreditar em você. Porque agente pode tudo, menos acreditar e ser uma pessoa mais ou menos!
"Viva cada dia como se tivesses vivido a vida inteira visando justamente àquele dia."
(Vassili Rozanov)
Ednamar



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